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segunda-feira, 20 de abril de 2015

ao nível dos desejos

gostava que os meus posts não andassem sempre à volta deste rato que anda aqui a navegar na minha maionese mas um perímetro abdominal destes deixa pouco espaço para outras coisas - mesmo muito pouco espaço.

no domingo, dado o home alone mood, decidi aventurar-me a re-pensar o quarto do miúdo. mexi camas para todo o lado, mudei móveis, fiz trezentas das coisas que não se pode/não se deve. hoje vieram as boas das consequências, para relembrar que não podes tudo e vais ter que te acalmar - assim dizia o médico quando lhe liguei e é melhor acatar ou ainda me põe de patinhas-inchadas para o ar em repouso. por muito que apeteça umas férias antecipadas, não dava jeito nenhum agora.

muitas vezes tento ser persuasiva o suficiente para convencê-lo a estacionar no lugar para pessoas com deficiência ou velhinhas, alegando que o meu arrastar está ao nível de uma mulher de 80 anos num corpo de 25. não tenho hipótese - quase desde que existe que tem na família uma querida C que precisa, ela sim, desse lugar para facilitar tanto a vida dela como a dos pais ou de quem a leva. ao lado disto, o meu caso é para meninos e lá vamos estacionar longe-que-dói mas de consciência tranquilita.

mas hoje foi diferente: fomos os dois almoçar para matar saudades. chegámos ao parque de estacionamento e não precisámos de procurar muito até um lugar nos piscar o olho - um dos bons, feitos à minha medida, literalmente. Obrigada ECI por satisfazerem desejos de grávida! Não ia de vestido mas dá na mesma não dá..?


sexta-feira, 17 de abril de 2015

PROGRAMA DAS FESTAS

programa com a gémea. melhor programa. até podia ser a cavar buracos na margem sul, era top. tipo Disneyworld, mas na margem sul. premissa óbvia para as duas. exposição de quadros de um tal de Ricardo. recém licenciado em belas artes. quadros diz que são mais baratos. vou a guiar. junta-se a milena. segunda cereja no bolo – a gémea é sempre a primeira. o marido dela vem também. atravessar a ponte. errada. era a vasco da gama e estás na salazar. GPS. nabice ao volante e a miúda está enjoada. e eu, grávida de 6m. e ela, de 5m. descobrimos o montijo. vai ser bom sair e dar uma volta por aqui. errado. voltas à autoroute, o estúdio é em setúbal. olhas para ela com ar matador. sorri e diz-te que é já ali. finges que o analfabetismo na área da geografia te faz não saber dos 100km que faltam. bolacha maria pelo carro. milena fula com a viagem. e com a mãezinha dela. com razão, eu também. chegamos a setúbal. entramos num estúdio onde cabem duas pessoas e um penico. sento-me e começo a ver os desenhos dele. de repente é o miúdo mas em desenho. too much info my friend! fazem proposta pela metade. quero enfiar-me num buraco, falta-me esta lata. voltamos para o montijo. deixamos o artista. no caminho descobrimos que também faz teatro. deixamos o marido dela para ir correr com o meu – para o rio, só. enfiamo-nos no pingo cheio de doce e fazemos as compras para o jantar. chegamos a casa. onde ficaram os meus óculos e o teu telemóvel? raios parta Setúbal, Montijo e toda a margem sul. metemos mãos à obra. acho que à quinta é de vez e tento novamente o risoto manhoso na bimba. aguado que nem sopa. misturo cogumelos e fica pior. paro antes que seja tarde demais. truque vai ser servir o jantar à meia noite. a fome vai ajudar a ver nisto um manjar. jantar servido à meia noite e dez. o que vale são os amigos compreensivos e pacíficos. risoto faz sucesso, pelo menos não sobra. uma e meia da manhã, jantar acaba. arrumar cozinha. começamos nova jornada: vamos fazer empadas. galinha e farinheira. quatro da manhã e 45 empadas. ela cai para o lado. eles já arrumaram a viola no saco e estão caídos pela sala. milena dorme ferrada na minha cama, onde ela se junta. quatro e tal e não tenho poiso – nem cama, nem sofá, nem nada. enfio-me na cama com elas as duas. ele há sábado melhor?

sozinha em casa

filme para o fim-de-semana. marido foi para fora e só volta para lanchar no domingo. primeira noite de oito meses casados em que uma cama gigante foi só minha. mantive-me no meu canto mas desconfio que vai ser hoje que vou dar largas à imaginação e deixar pernas e braços à solta.

fui almoçar com a R e falávamos sobre o estado-casamento e como ajuda a um self-knowledge (ando a começar a ficar farta destas expressões à zeinal bava). ver de fora e tentar perceber se me casava comigo outra vez, se estivesse no lugar dele. a ideia é conseguir dizer que sim mas se for não, trabalhares no que podes mudar e melhorar. 

teorias à parte, os 120 metros quadrados que partilhamos são dos dois e meio, mais do que uma extensão do meu antigo quarto. porque se assim fosse, seriam 120 de loucura - roupa espalhada, sapatos baralhados, toalhas molhadas em cima da cama por fazer. ontem quando cheguei apeteceu-me essa extensão e como estava sozinha - filho mais novo como ele dizia, estava fora - desforrei-me: sapatos voaram, cama ficou "a arejar", coisas do pequeno almoço ficaram já ali de fora para sábado, esperei que o despertador fosse a chamada dele a acordar-me e meti uma empada home-made num saco de plástico do IKEA para safar o almoço. a vizinha lavou na mesma a casa toda com lixívia da baratinha e continuo a desconfiar que naquele T3 ninguém consegue fazer aquilo para dentro da retrete tal é o aroma a camélias frescas nas escadas. mas hoje nem isso me tirou o apetite porque saí a voar. nunca as manhãs foram tão fáceis :)

e apesar disto tudo, estou a contar as horas para voltares e trazeres de volta a moderação que me falta e que faz com que o meu oposto se sinta tão atraído pelo teu. sextas-feiras não sabem tanto a pato se não estás por aqui para festejarmos ao som de Boss AC, cantando animadamente o facto de termos suado a semana inteira, e no bolso não termos um tostão, yeah! volta Bernas, estás perdoado!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

cenas da vida de um carro

oito e picos da manhã. deixou-me no metro como é costume e meti-me a caminho do trabalho. por volta das nove e mais picos o telefone toca e há uma voz diferente do outro lado. pergunto o que se passa a medo e foi o carro – o nosso pobre carro com três meses de vida foi à faca, ou vai ter que ir. 

tinha estacionado e decidiu não sair do carro logo, ainda tinha coisas para fazer e aproveitou a chuva lá de fora para atrasar a saída. um minuto depois passa um autocarro da carris e faz a curva fino, sem problema. passados outros cinco passa uma carrinha cheia de miúdos a caminho da escola. condutor assume postura de rally dakar e leva tudo atrás – a curva, os miúdos e o nosso bogas. depois, sem hesitar, segue a sua vidinha

o chato foi ele estar dentro do carro, ter ido atrás do homem e ter obrigado o senhor condutor a parar e assinar a DAA. era eu ter a tua calma e compreensão e a vida seria bem mais fácil. bendita ética para aqueles miúdos hein senhor motorista?

e tu, carro, tens agora umas rugas a mais do lado direito mas nós continuamos a gostar de ti. se fosses o antigo smart provavelmente era o teu fim, mas tu acredito que tens sete vidas. é bom que tenhas.

borrego

por que é que a cidade de Lisboa me cheira a borrego da Páscoa?

terça-feira, 14 de abril de 2015

status 26+

#1 um miúdo que não pára quieto por nada – ainda bem, bom sinal

#2 peso a mais – esgotei os cartuxos de toda uma gravidez e ainda faltam os 3 terríveis, onde diz que se engordam os mesmos que já cá cantam. fechar a boca é giro na teoria, muito difícil na prática. estou decidida, pelo menos nas primeiras 24h após consulta

#3 um médico que percebe os meus dramas internacionais – as primeiras três semanas de vida de hospital dele foram iguais. a reter que os homens não se sujeitam a metade do que as mulheres sujeitam #fazomesmo

#4 criança com mais 300g do que o suposto e pelo andar da bicicleta chega aos 4kgs. é imaginar os estragos e trabalhar no ponto 2. alego que o marido tem dois metros e o médico diz que pode ser disso ou das “bolachas que a minha amiga come serem mesmo mesmo boas” – são as ranhosas de milho, onde é que está a magia?!

#5 contrações a chegar e eu a desejar que seja para facilitar o 17. Bem-vindas lindas

#6 marido a mandar bitaites sobre leite a mais e iogurtes. sugeri-lhe subir para a balança para ver como os iogurtes não são nada ao lado do seu queijo-melhor-amigo. médico diz que não acompanha homens.. damn

#7 já só faltam 3 meses e começo a pensar que vou ter saudades disto

#8 não existe uma única coisa preparada para a chegada do rebento: existe um quarto de arrumações bem desarrumado. no subconsciente deseja-se que ele venha antes de tempo e haja uma boa desculpa para não ter nada feito. nesting madness, onde andas?

#9 aprendemos que ele está sempre, sempre a dormir e só acorda nos últimos dias antes de vir conhecer este mundo. andava eu a preocupada que o miúdo já tinha os horários trocados e que os primeiros dias de noites iam ser giros

#10 hidroginástica podia parecer uma boa ideia se não parecesse tão má. exercício, toucas e pirolitos-com-sabor-a-cloro-e-não-só nunca encaixaram anyways..

quinta-feira, 9 de abril de 2015

da convivência

Andamos a ficar parecidos, tu e eu. Sempre me atraiu essa zona Z de zero, B de branca, P de paradisíaca, ou o que lhe queiram chamar: essa capacidade que um homem tem de se lançar mentalmente para lugar nenhum e por aí ficar no descanso eterno. Como invejo esta capacidade, tenho-a exercitado sempre que posso, sofrendo as consequências de tais férias.

Explico. Consulta das não sei quantas semanas – isto das semanas claramente não é para mim, sei que nasce por volta do 17 de Julho e tenho um counter no computador que me diz que já faltam menos de 100 dias. Nice, é tudo o que preciso de saber para ter as malas à porta. Nota para quem pense em ter ideia parecida: ignorâncias destas (de não se entenderem com as semanas) não se referem a NENHUM médico. Cometi este erro no almoço de família de Natal e ouvi aquele querido médico, cheio de boas intenções, começar todo um cálculo em voz alta sobre as semanas em que eu já deveria estar, ouvir perguntas MUITO constrangedoras, ver caras ainda mais assustadas que a minha e como cereja no topo do bolo estar no almoço do inimigo. Zona Z, desesperei por ti naqueles segundos-que-pareceram-duas-horas!

Voltando ao médico: começo a queixar-me das cãibras que não me largam as saias principalmente à noite, queridas. Abre parêntesis, dia especialmente cansativo que implicou umas quatro viagens de metro, autocarro, várias horas laborais e alguma faxina o que justificaria um pezinho na zona Z, fecha parêntesis. Começa o médico a discursar e eu oiço as primeiras palavras que envolvem Magnésio e desligo a ficha a partir daí, de malas aviadas para a zona Z. E por ali fiquei feliz, a acenar que sim, a parecer muitíssimo interessada. Ele fez o mesmo. Adeus, obrigada, até para o mês que vem e passamos a comprar o Magnésio na farmácia. E agora? Como é que isto se toma? Ouviste-o falar em qualquer coisa de oito horas de espera? Não.. E é com água que se mistura? Acho que sim.. Que quantidade? Lemos a bula e ficamos ainda menos esclarecidos com tanta contra-indicação que estas coisas hoje em dia trazem, em que no mínimo dos mínimos entras em coma.

E foi um último mês aos papéis com estas saquetas do magnésio. Isto tem açúcar de certeza porque é viciante pra xuxu. Assim, inventei nova fórmula de dosagem: misturas uma saqueta no garrafão de 2L de água e garantes que tens estímulo para beber aquilo tudo durante o dia. As cãibras, essas, vieram para ficar, constituir família e iniciar um negócio de refeições para fora.

ROTINAS DAS BOAS

Já houve tantasIr para a Gulbenkian ao Domingo de manhã de lápis e papel na mão ver como é que os patos passam o fim de semana e acabar a almoçar por ali, com uma sopa e dois croquetes (que são os melhores de Lisboa, melhores até que os da barra do Gambrinus). Ir correr para o rio à noite. Escrever na agenda as coisas mais importantes que se passaram em cada dia para garantir que daqui a dez anos sei o dia em que ficámos horas à conversa naquele café, não dando pelas horas passar. Pintar as unhas depois de qualquer exame como escape total para um mundo onde não é preciso usar muito a cabeça, só a imaginação. Acordar às cinco da manhã para estudar porque o estudo rendia o dobro. Estava no liceu e quem me tirava o sono era a matemática. Deitar-me sem falha às dez porque com isso ia conseguir crescer mais 10 cm/ano diziam. Lavar o carro pelo menos uma vez por mês, para não cair no desleixo – durou trinta dias esta. Depois casei-me e deixei cair por terra as rotinas de solteira que ainda tinha, com um grande botão de refresh pelo meio. Foi do melhor, sensação "primeiro passo". Fui deixando passar uns meses e ao fim de sete olho para trás e já voltei a ganhar tantas outra vez. Ou era o chão da cozinha que tinha que estar imaculado, ou a cama que nunca podia viver a desculpa do “fica a arejar”, ou a loiça no escorredor que ficava visualmente feia e tinha que sair dali, ou a roupa por engomar que tinha que se resolver mal secava. Ou o congelador que tinha que ter sempre reservas para os dias em que os dois chegávamos tarde a casa. Ou o excel atualizado com as coisas que habitavam o frigorífico. Tantas, e tão irritantes.

Voltámos de férias e aterrei em casa como quando voltei de lua-de-mel. Parei ali à entrada e olhei à volta. Só consegui pensar na sorte que tenho, que temos, em ter uma casa. Em termos coisas em casa. Em termos uma sala onde podemos receber amigos, um quarto onde dormir, uma cozinha com tanta coisa para fazer jantares, bolos e pequenos-almoços. Duas varandas onde podemos ficar à conversa em tardes mais quentes. Um teto. E isso chega, porque já é tão bom. Escrevo isto para não me esquecer e não começar já com mil e duzentas rotinas novas que, quando não vividas com liberdade, a levam por completo. Deixei ficar só uma, porque dizem que é boa para o bicho lindo que aí vem: a música, calminha, enquanto fazemos o jantar.

Ontem foi esta: The Same Things, Lauren O'Connell
Marabilha.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

vamos ter saudades disto

De sermos só dois. 
De podermos chegar a casa e demorar mais de um minuto a dois antes de soar a sirene esfomeada. 
De podermos decidir à última da hora que vamos só jantar ali. 
De dormir até querermos. 
De pôr a música aos berros, nota para a inexistência de vizinhos em cima e em baixo (?). 
De viagens num SMART-egoísta-for-two. 
De ficarmos horas à conversa na sala e continuarmos pela noite fora. Até um cair para o lado de sono e o outro ceder a acordá-lo com a técnica de lhe abrires os olhos e soprares com força, infalível
De fazermos uma máquina de roupa por semana e sobra. 
De comer cereais na cama porque já não há nada no frigorífico. 
De termos que ir a casa deles buscar talheres porque ainda não pensámos nisto e plástico não é hipótese. 
De irmos correr ao rio às nove da noite porque sim. E porque foi onde muito começou.
De vivermos um dia de cada vez. 
De fazermos mil planos de mil sonhos. E de nenhum se realizar e não faz mal. 
De irmos ao miradouro namorar e sair de casa com as mãos a abanar. 
De irmos ao cinema e as pipocas serem nossas. E a coca-cola também. 
De comer um chocolate sozinha. Já não sabes o que isso é de qualquer forma #ladrãoemcasa.
De ter um quarto "das arrumações" que é só tralha mesmo.
De podermos agarrar em duas mochilas e correr de uma ponta à outra a América do Sul.

Mas a vontade do que aí vem é tão maior do que isto, porque nos duplica no amor: um ao outro, ao outro e aos outros. 

Podes vir, que estamos ansiosos por te conhecer e por ver a reação da H, da C, do A, do A, do F e do J.
Vem roubar-me os chocolates e as noites de sono mas não te esqueças que o teu pai é só meu.
E quando eu não estiver a ouvir podes dizer o mesmo, que é só teu. Já tu, és 100% nosso.

CABELOS AO VENTO

Por aqui chega-se de férias e a cabeça em vez de vir descansada e sem grandes questões existenciais, vem num turbilhão. Dificuldade no arranque, sabes bem porquê, primeira posta e não consegues dar o que achavas que vinhas dar. Pelo menos hoje. Pelo menos hoje.

Sabes que queres empregar essas energias que recuperaste noutra coisa, nessa coisa. Voltas a tentar a primeira e desta vez arranca, estás aqui e tens que estar no que fazes. No que deves. E deves? Quando vais a arriscar uma segunda, recebes email dele a perguntar se almoçamos? e despachas-te a confirmar, nada que um hamburguer não resolva

Voltas com mais vontade, sentas-te à frente do computador e o tudo o vento levou passa mais uma vez à ação. Lutas desesperadamente para te manteres agarrada a essa cadeira e para não fazeres do tempo que falta o tempo que sobra

Queres aquela coisa mas sabes que isso implicará ainda mais de ti. Menos trabalho certamente, quem corre por gosto não cansa, mas mais lutas interiores para chegares ao que verdadeiramente nasceste para ser. E fazer.

terça-feira, 31 de março de 2015

é sexta-feira

Hoje é sexta-feira e por isso está tudo bem.

Telemóvel toca, estou a meio de uma coisa. É ele. Atendo porque é ele e deve ser para fazer o update do countdown para irmos de férias. Mas as primeiras palavras não são: "falta uma hora para te ir buscar!". São: "Querida, onde é que escondeste a minha mala?" (para os homens tudo o que sai do sítio onde, logicamente, estaria, é uma brincadeira de mau gosto da esponja). 

Cabeça faz um esforço desumano para tentar lembrar-se onde está a mala que nos serviu de almofada tantas vezes na lua-de-mel - sim, não lhe pegamos há sete meses amor, como é que queres que eu me lembre onde é que ela está?! Arrisco um "eu diria que está debaixo da cama". Diz que não. E em cima do armário? Diz que também não. Corre dispensas, outras camas, uma azáfama que até a mim me cansa e estou do outro lado da cidade. 

Em tom de desespero digo-lhe para enfiar tudo num saco do IKEA. Vamos parecer uma família cigana mas aguentamo-nos à bronca (note-se que eu já levo uns quatro para as minhas coisas). Decide recomeçar: "querida, mas diz lá onde é que a escondeste.." Volto a tentar todos os passos, não me abstendo de dizer entre linhas que se estivesse eu aí, encontrava-a. À terceira tentativa em que insisto que, se estivesse no meu perfeito juízo quando a arrumei (nem sequer ponho a hipótese de ter sido ele) teria posto debaixo da cama. 

Nota para o leitor que chegou até aqui: debaixo da minha cama, um sommier chiquérrimo, existem várias caixas com cenas: toalhas, lençóis, vestidos de festa e alguns sacos. Tudo arrumado por cores-quem-me-dera, por tamanhos e com uma lógica. Confesso que senti algum suor frio ao pensar na confusão que aquilo já deve estar.. Deixa, hoje é sexta porque vamos de férias e vale tudo e mais um par de botas.

E lá estava a amiga (claro!), arrumada num dos sacos debaixo da cama. Como não estava em cima de nada, mas arrumada, estava escondida. Era eu ter mais tempo e fazia mais destas, não foi giro?! No fim só ouvi várias gargalhadas, "mas quem é que arruma mochilas dentro de sacos querida?..". God save the Queen! (não se aplica, mas precisei deste momento)

sexta-feira, 27 de março de 2015

DOMINGUEIROS #1

Correndo o risco de acharem que somos aquele casal gordinho que só pensa em comida - prometo que estamos muito longe disso - tinha que dizer só mais isto: descobrimos há uns meses a melhor gelataria de Lisboa, com gelados mais baratos que o Santini e Amorino e, só vos digo, ainda melhores! 

É a Nannarella ao pé da Assembleia e somos assíduos domingueiros. Sabores que valem 200% a pena são o Gianduia (chocolate do Férréróchér como diz o mais velho dela) e a Avelã. E os outros todos. Depois pode-se escolher natas por cima e ainda nozes caramelizadas sem pagar mais por isso. Tudo com fruta portuguesa, ingredientes frescos e a melhor parte: é tudo feito ali, podemos ver a magia a acontecer por trás do balcão!

A fila normalmente existe mas anda rápido e a família, a Constanza e o Filippo, são uma simpatia. A última vez que lá fomos ficámos com a ideia de que fecham sempre as dez da noite, um perigo para quem quer uma sobremesa tardia.

peixe lindo

Dizem que vem aí um dia de sol espetacular. Estou à espera disso, tenho um almoço de marmitas com a T. e o refeitório vai ser um dos banquinhos ao ar livre. Ando há duas semanas a comer salada de atum e estou feliz, acho que alface é o meu único desejo de grávida (fora o sushi mensal, pormenor). 

Ontem acabámos a noite no sushi do Lx Factory para festejar 1 ano e 10 meses de namoro. Vou continuar a festejar isto até me lembrar do 26. A desculpa foi que, daqui a três meses, não teremos a facilidade de nos metermos em programas destes decididos no segundo. Entrámos e a minha barriga de seis-meses-que-parecem-trigémeos denunciou-me. Umas cinco cabeças femininas viraram a cara e num olhar reprovador começaram no cochicho. Amigas, já basta o que basta: são nove meses de mais peso, mais cansaço, mais roupa que não serve, mais impossibilidade de dormir de barriga para baixo, mais não fumar (este foi dos poucos que não custou), mais forma de pêra (mas das felizes). Deixem-me curtir o meu peixe cru.. por favor! (só vou a sítios de confiança, não sou perdidamente inconsciente)

Foi em modo all you can eat (é dos sushi com melhor relação qualidade preço e não me canso de lá ir, para além da simpatia dos empregados principalmente aquela que, a cada mês me vê mais peixe-balão e continua a dizer que não pareço grávida #cirrose?). Delicia. Teria pedido mais uma leva não fosse o marido dizer que já não conseguia mais. Agora estou arrependida de não ter empregue o “comer por dois”. Já que vou ouvir do médico, mais vale ser com um sorriso rasgado e hálito a peixe cru dos bons (blheck!)

quinta-feira, 26 de março de 2015

PRECIPITAÇÕES MAS PRONTO

Chegaram os álbuns de fotografias do casamento e lua de mel. Encomendados na Blurb e feitos em casa numa semana de gripes e afins. Como sou uma precipitada de primeira fiz tudo, encomendei e não olhei uma única vez para as medidas. Resultado: são mínimos e tinha imaginado que encheriam uma sala, daqueles que chegam a ser difíceis agarrar só com duas mãos (?). Mas não faz mal, são giros na mesma, dá para matar saudades e se me convencer muitas vezes vou acreditar que este era o tamanho perfeito – 20x25cm.

Acho que já está: façam sempre em 20x25, impossível existir algum tamanho melhor. Logo à noite meto aqui uma fotografia do resultado final - blogs sem fotografias não pescam likes não é..?

Dica: a Blurb todos os meses faz promoções (recebe-se no email os vouchers), vale a pena esperar e aproveitar porque são logo 25% a 30% de desconto. E o resultado é in-crí-vel. Chegaram ao fim de uma semana e meia a casa, sem estragos de correio.

quarta-feira, 25 de março de 2015

"BANANA NO CHÃO, QUEDA DIRETA!"

Tenho acordado ao som disto, tal foi o número de vezes que o B. ouviu o berreiro da mulher da meia-maratona que distribuía bananas à passagem dos 35k corredores naquele Domingo. E todas as manhãs vem com direito a adaptação de voz, fechas os olhos e consegues imaginar a senhora-professora-de-educação-física (nada contra esta profissão J.) num histerismo educativo.

Naquele dia, chegou ao pingo doce onde eu andava em compras “imaginei que ias estar aqui” (mau sinal, a sério que sou essa pessoa?). Vinha com um ar acabado, a verdadeira bolha humana. Mas vinha feliz. Fez os 18/21 Km (acrescentei mais um para o caso de estares a ler isto querido) e sensatamente não imperou a teimosia masculina em querer defender a honra e chegar à meta a arrastar-se (morreu um alemão pelo caminho e tinha indicações de que o filho ainda queria conhecer o paizinho). Depois carregou com as compras até casa porque como o outro dizia “gravidez não é doença” (nunca te agradeci o conselho, obrigada! achei que era tipo herpes..) e achei-me capacitada para levar às costas os oito quilos de supermercado num saco pronto a explodir (o carro ficou em casa porque em seis meses conseguimos estacioná-lo num sítio legal pela primeira vez, welcome to Lapa).

Chegámos a casa e iniciou-se a sessão de cura daqueles pés: comecei a medo muito devagarinho, agulha em punho e bolha após bolha ia perguntando “dói?”. Acabei a sessão como naqueles jogos em que se tem que matar o sapo que aparece com um martelo e a cada bolha que via pumba, lá espetava a agulha e dava cabo dela sem dó nem piedade. No dia seguinte acordámos e estavam lá todas outra vez. Com o meu timing sempre acertado, depois de ter feito a brincadeira fui ler à Internet o que fazer nestes casos e a senhora tuasaúde.com diz que fiz tudo mal: nunca se deve explodir bolhas e ninguém me avisa?! 

Fica o aviso para quem está desse lado e está a pensar numa fuga das galinhas de 18km. Na próxima já espero poder ir: levo o Vasco no canguru (há um termo mais técnico mas ainda não domino esta linguagem de maternidade) e prometemos esquivar-nos das bananas, ou é QUEDA DIRETA - por favor imaginem a voz esganiçada e o ar sabichão, é do melhor tipo sexta-feira!

terça-feira, 24 de março de 2015

miúda do ano

parabéns à miúda mais querida de Lisboa, a miLena (pelo nome adaptado, promissora assessora de estética). o pai e a mãe que vão ao sushi porque hoje à noite és só minha e do teu tio preferido e prometemos uma jantarada bem melhor que a deles para festejar este primeiro ano de vida, ao som de bolacha maria e leite em pó :)

note to self

Quando as portas do metro se fecham na tua cara e ficas entalada, pões uma mão para proteger o miúdo na barriga que não tem culpa que estes sistemas sejam uns insensíveis ao facto de que uma-grávida-demora-mais-tempo-a-passar-filhos. E sais vitoriosa, com uma mão roxa mas feliz porque o miúdo só vai saber o que é um empurrão quando começar a escola (sim, claro..)

regresso às aulas

Desde o último post que a vida por estas bandas mudou a sério. Para o bom e o melhor e o bom outra vez de uma vida a dois. Não queria deixar de escrever, gosto demasiado disto pela ideia de deitar cá para fora o que tantas vezes não sai de outra forma. Hoje em dia trabalho em inglês, escrevo em inglês e falo em inglês (e tentamos manter diálogos estrangeiros em casa para pouparmos em aulas fora #notpretty) e só toco no português para ler receitas ou a Telva, que acho que não conta #voudarmuitoserros Depois: tenho memória de periquito e enquanto ela se lembra de tu-do o que eram os nossos dias de pré-primária, eu não. Vale a pena escrever só por isso, para um dia poder vir ler. Mas como dizia a vida mudou e quando o sol espreita lá fora já não se pensa automaticamente “vamos dar um mergulho à praia?” mas mais “alegria, a roupa vai secar”. E há menos tempo para o acessório (não te ofendas blog) e menos tempo para os formatos giros e muito pensados (neste momento ando anti-textos-inspiracionais, já basta esta vida). Mas o que importa é que as coisas ficam por aqui registadas e eu volto a treinar o meu português suave.

Já tinha saudades!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

sou só eu

que já não aguento as duas miúdas de touca na capa deste blog?!

sobre a H, para a Vera


viveste aqueles nove meses a agradecer a vida que aí vinha. reconhecias a maravilha do dom que lhe era dado. reconhecias a maravilha de vir mais um, são sempre tantos e tão poucos. a família, dizias, quer-se grande, quer-se gigante. querem-se casas de confusão, querem-se tapetes gastos, querem-se paredes riscadas e quer-se divisão de roupas até à exaustão. e com ela, sempre tinha sido assim. com ela tinhas vivido os primeiros nove meses, com conversas que não acabavam. e não acabaram cá fora, nunca. a ponto de tantos se perguntarem o que é que aquelas duas, que vivem debaixo do mesmo teto, ainda têm para falar? mais tarde, com a chegada da idade do armário, passou a ser a pessoa que querias mais longe, à distância do sol sff. e quando reconheceste que os nove meses valiam mais do que qualquer coisa e te reaproximaste, descobriste que ninguém te conhecia melhor, ninguém te percebia melhor debaixo de água, ninguém era tão parecido contigo como ela. e ninguém era mais diferente de ti, também. e passaram a ir sair juntas à noite, dançar até de manhã e voltar para casa de vespa, sem carta mas radiantes com mais uma noite passada a duas. as amigas começaram a ficar irritadas com tudo aquilo, agora bastavam-se uma à outra! descobriste o que te ficava melhor e pior ao ver nela o reflexo do que eras, foste cobaia de cortes de cabelo, fizeram viagens juntas, leram livros a meias e planearam viver no mesmo prédio apenas separadas por uma porta - sem chave.

a vida avançou e com ela a realidade. continuaram próximas-que-enjoa mas agora cada uma no seu caminho. e foi há seis meses que te contou que daí a seis meses nascia mais um bébe na família. acompanhaste aqueles nove meses com um amor diferente, esse bébe estava na barriga de uma pessoa com quem já tinhas estado dentro de uma outra barriga. raciocínio complexo. ele dizia que andavas nostálgica como se a criança fosse um bocadinho tua - e era. e é.

passaram-se os tais seis meses. estava a sair da V a caminho do metro. o dia parecia-me diferente e quis esperar pelas 21h para pôr o pé no elevador, afinal de contas o hospital seria sempre ali ao lado, caso ela já lá estivesse. passava por Chelas e ia a ler o livro que ele me tinha dado, quando recebi a mensagem do L: "a vossa irmã vai ter o filho agora!". fora de pieguices, o senhor que estava sentado à minha frente deve ter lamentado os sete quilos de cebolas que eu tinha estado provavelmente a descascar. coração pára, sete segundos. do L, outra vez, recebo um "agr! é uma miúda!". mais setenta cebolas para a mesa sete e o coração re-arranca. metro chega a São Sebastião, corro na fuga das galinhas para a linha azul, três minutos que parecem trezentos e chego finalmente ao carro. apanho os pais e corremos para a maternidade. chegamos ao quarto e dizem-nos que a Teresa ainda está no recobro. tudo fica descansado e à conversa. e é aí que eu decido que preciso de a ver.

começo a andar pelos corredores, trás-frente-trás. não diz recobro em lado nenhum, será que é para despistar pessoas como eu?, continuo a andar com ar bonzinho e 100% suspeito. decido perguntar, como quem não quer a coisa, é no piso de baixo menina diz a enfermeira desconfiada. sorrisinho e finjo ser apenas curiosidade. mal ela vira costas, atravesso o corredor em passo rápido, ele vê-me e acena que não com a cabeça a saber perfeitamente para onde me dirigia, carrego no botão do elevador e chego à porta do recobro. esperei e esperei que aparecesse alguém. preparei um discurso sério e irrecusável e finalmente apareceu a vítima: a enfermeira do recobro. olhe eu sou gémea da Teresa que teve agora um bébe e gostava mesmo de a ver. acho que reforcei o gémea com dois tons acima do normal e três tempos de pausa entre sílabas, sabia ser esse o meu principal argumento. e foi aí que entrei e as vi pela primeira vez, mãe e filha. conversámos, agradecemos, rimos e ficámos em silêncio. reconheci a alegria no sofrimento - diferente de tudo aquilo que alguma vez tinha presenciado.

durante essa semana, não consegui trabalhar. a minha cabeça estava lá, a ponto do L dizer que devia existir uma licença para tias! continuo assim e qualquer desculpa é boa para passar lá em casa a dizer olá, desculpem tinha mesmo que trazer estas faturas à Teresa..

a minha Teresa tem uma minha-Helena. e aquele bocadinho dela que eu quero que seja meu, passa amanhã a ser: batiza-se às 18h30 e vou ser a madrinha daquela miúda querida, que já adorava antes sequer de saber que vinha a caminho :)