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sexta-feira, 27 de março de 2015

DOMINGUEIROS #1

Correndo o risco de acharem que somos aquele casal gordinho que só pensa em comida - prometo que estamos muito longe disso - tinha que dizer só mais isto: descobrimos há uns meses a melhor gelataria de Lisboa, com gelados mais baratos que o Santini e Amorino e, só vos digo, ainda melhores! 

É a Nannarella ao pé da Assembleia e somos assíduos domingueiros. Sabores que valem 200% a pena são o Gianduia (chocolate do Férréróchér como diz o mais velho dela) e a Avelã. E os outros todos. Depois pode-se escolher natas por cima e ainda nozes caramelizadas sem pagar mais por isso. Tudo com fruta portuguesa, ingredientes frescos e a melhor parte: é tudo feito ali, podemos ver a magia a acontecer por trás do balcão!

A fila normalmente existe mas anda rápido e a família, a Constanza e o Filippo, são uma simpatia. A última vez que lá fomos ficámos com a ideia de que fecham sempre as dez da noite, um perigo para quem quer uma sobremesa tardia.

peixe lindo

Dizem que vem aí um dia de sol espetacular. Estou à espera disso, tenho um almoço de marmitas com a T. e o refeitório vai ser um dos banquinhos ao ar livre. Ando há duas semanas a comer salada de atum e estou feliz, acho que alface é o meu único desejo de grávida (fora o sushi mensal, pormenor). 

Ontem acabámos a noite no sushi do Lx Factory para festejar 1 ano e 10 meses de namoro. Vou continuar a festejar isto até me lembrar do 26. A desculpa foi que, daqui a três meses, não teremos a facilidade de nos metermos em programas destes decididos no segundo. Entrámos e a minha barriga de seis-meses-que-parecem-trigémeos denunciou-me. Umas cinco cabeças femininas viraram a cara e num olhar reprovador começaram no cochicho. Amigas, já basta o que basta: são nove meses de mais peso, mais cansaço, mais roupa que não serve, mais impossibilidade de dormir de barriga para baixo, mais não fumar (este foi dos poucos que não custou), mais forma de pêra (mas das felizes). Deixem-me curtir o meu peixe cru.. por favor! (só vou a sítios de confiança, não sou perdidamente inconsciente)

Foi em modo all you can eat (é dos sushi com melhor relação qualidade preço e não me canso de lá ir, para além da simpatia dos empregados principalmente aquela que, a cada mês me vê mais peixe-balão e continua a dizer que não pareço grávida #cirrose?). Delicia. Teria pedido mais uma leva não fosse o marido dizer que já não conseguia mais. Agora estou arrependida de não ter empregue o “comer por dois”. Já que vou ouvir do médico, mais vale ser com um sorriso rasgado e hálito a peixe cru dos bons (blheck!)

quinta-feira, 26 de março de 2015

PRECIPITAÇÕES MAS PRONTO

Chegaram os álbuns de fotografias do casamento e lua de mel. Encomendados na Blurb e feitos em casa numa semana de gripes e afins. Como sou uma precipitada de primeira fiz tudo, encomendei e não olhei uma única vez para as medidas. Resultado: são mínimos e tinha imaginado que encheriam uma sala, daqueles que chegam a ser difíceis agarrar só com duas mãos (?). Mas não faz mal, são giros na mesma, dá para matar saudades e se me convencer muitas vezes vou acreditar que este era o tamanho perfeito – 20x25cm.

Acho que já está: façam sempre em 20x25, impossível existir algum tamanho melhor. Logo à noite meto aqui uma fotografia do resultado final - blogs sem fotografias não pescam likes não é..?

Dica: a Blurb todos os meses faz promoções (recebe-se no email os vouchers), vale a pena esperar e aproveitar porque são logo 25% a 30% de desconto. E o resultado é in-crí-vel. Chegaram ao fim de uma semana e meia a casa, sem estragos de correio.

quarta-feira, 25 de março de 2015

"BANANA NO CHÃO, QUEDA DIRETA!"

Tenho acordado ao som disto, tal foi o número de vezes que o B. ouviu o berreiro da mulher da meia-maratona que distribuía bananas à passagem dos 35k corredores naquele Domingo. E todas as manhãs vem com direito a adaptação de voz, fechas os olhos e consegues imaginar a senhora-professora-de-educação-física (nada contra esta profissão J.) num histerismo educativo.

Naquele dia, chegou ao pingo doce onde eu andava em compras “imaginei que ias estar aqui” (mau sinal, a sério que sou essa pessoa?). Vinha com um ar acabado, a verdadeira bolha humana. Mas vinha feliz. Fez os 18/21 Km (acrescentei mais um para o caso de estares a ler isto querido) e sensatamente não imperou a teimosia masculina em querer defender a honra e chegar à meta a arrastar-se (morreu um alemão pelo caminho e tinha indicações de que o filho ainda queria conhecer o paizinho). Depois carregou com as compras até casa porque como o outro dizia “gravidez não é doença” (nunca te agradeci o conselho, obrigada! achei que era tipo herpes..) e achei-me capacitada para levar às costas os oito quilos de supermercado num saco pronto a explodir (o carro ficou em casa porque em seis meses conseguimos estacioná-lo num sítio legal pela primeira vez, welcome to Lapa).

Chegámos a casa e iniciou-se a sessão de cura daqueles pés: comecei a medo muito devagarinho, agulha em punho e bolha após bolha ia perguntando “dói?”. Acabei a sessão como naqueles jogos em que se tem que matar o sapo que aparece com um martelo e a cada bolha que via pumba, lá espetava a agulha e dava cabo dela sem dó nem piedade. No dia seguinte acordámos e estavam lá todas outra vez. Com o meu timing sempre acertado, depois de ter feito a brincadeira fui ler à Internet o que fazer nestes casos e a senhora tuasaúde.com diz que fiz tudo mal: nunca se deve explodir bolhas e ninguém me avisa?! 

Fica o aviso para quem está desse lado e está a pensar numa fuga das galinhas de 18km. Na próxima já espero poder ir: levo o Vasco no canguru (há um termo mais técnico mas ainda não domino esta linguagem de maternidade) e prometemos esquivar-nos das bananas, ou é QUEDA DIRETA - por favor imaginem a voz esganiçada e o ar sabichão, é do melhor tipo sexta-feira!

terça-feira, 24 de março de 2015

miúda do ano

parabéns à miúda mais querida de Lisboa, a miLena (pelo nome adaptado, promissora assessora de estética). o pai e a mãe que vão ao sushi porque hoje à noite és só minha e do teu tio preferido e prometemos uma jantarada bem melhor que a deles para festejar este primeiro ano de vida, ao som de bolacha maria e leite em pó :)

note to self

Quando as portas do metro se fecham na tua cara e ficas entalada, pões uma mão para proteger o miúdo na barriga que não tem culpa que estes sistemas sejam uns insensíveis ao facto de que uma-grávida-demora-mais-tempo-a-passar-filhos. E sais vitoriosa, com uma mão roxa mas feliz porque o miúdo só vai saber o que é um empurrão quando começar a escola (sim, claro..)

regresso às aulas

Desde o último post que a vida por estas bandas mudou a sério. Para o bom e o melhor e o bom outra vez de uma vida a dois. Não queria deixar de escrever, gosto demasiado disto pela ideia de deitar cá para fora o que tantas vezes não sai de outra forma. Hoje em dia trabalho em inglês, escrevo em inglês e falo em inglês (e tentamos manter diálogos estrangeiros em casa para pouparmos em aulas fora #notpretty) e só toco no português para ler receitas ou a Telva, que acho que não conta #voudarmuitoserros Depois: tenho memória de periquito e enquanto ela se lembra de tu-do o que eram os nossos dias de pré-primária, eu não. Vale a pena escrever só por isso, para um dia poder vir ler. Mas como dizia a vida mudou e quando o sol espreita lá fora já não se pensa automaticamente “vamos dar um mergulho à praia?” mas mais “alegria, a roupa vai secar”. E há menos tempo para o acessório (não te ofendas blog) e menos tempo para os formatos giros e muito pensados (neste momento ando anti-textos-inspiracionais, já basta esta vida). Mas o que importa é que as coisas ficam por aqui registadas e eu volto a treinar o meu português suave.

Já tinha saudades!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

sou só eu

que já não aguento as duas miúdas de touca na capa deste blog?!

sobre a H, para a Vera


viveste aqueles nove meses a agradecer a vida que aí vinha. reconhecias a maravilha do dom que lhe era dado. reconhecias a maravilha de vir mais um, são sempre tantos e tão poucos. a família, dizias, quer-se grande, quer-se gigante. querem-se casas de confusão, querem-se tapetes gastos, querem-se paredes riscadas e quer-se divisão de roupas até à exaustão. e com ela, sempre tinha sido assim. com ela tinhas vivido os primeiros nove meses, com conversas que não acabavam. e não acabaram cá fora, nunca. a ponto de tantos se perguntarem o que é que aquelas duas, que vivem debaixo do mesmo teto, ainda têm para falar? mais tarde, com a chegada da idade do armário, passou a ser a pessoa que querias mais longe, à distância do sol sff. e quando reconheceste que os nove meses valiam mais do que qualquer coisa e te reaproximaste, descobriste que ninguém te conhecia melhor, ninguém te percebia melhor debaixo de água, ninguém era tão parecido contigo como ela. e ninguém era mais diferente de ti, também. e passaram a ir sair juntas à noite, dançar até de manhã e voltar para casa de vespa, sem carta mas radiantes com mais uma noite passada a duas. as amigas começaram a ficar irritadas com tudo aquilo, agora bastavam-se uma à outra! descobriste o que te ficava melhor e pior ao ver nela o reflexo do que eras, foste cobaia de cortes de cabelo, fizeram viagens juntas, leram livros a meias e planearam viver no mesmo prédio apenas separadas por uma porta - sem chave.

a vida avançou e com ela a realidade. continuaram próximas-que-enjoa mas agora cada uma no seu caminho. e foi há seis meses que te contou que daí a seis meses nascia mais um bébe na família. acompanhaste aqueles nove meses com um amor diferente, esse bébe estava na barriga de uma pessoa com quem já tinhas estado dentro de uma outra barriga. raciocínio complexo. ele dizia que andavas nostálgica como se a criança fosse um bocadinho tua - e era. e é.

passaram-se os tais seis meses. estava a sair da V a caminho do metro. o dia parecia-me diferente e quis esperar pelas 21h para pôr o pé no elevador, afinal de contas o hospital seria sempre ali ao lado, caso ela já lá estivesse. passava por Chelas e ia a ler o livro que ele me tinha dado, quando recebi a mensagem do L: "a vossa irmã vai ter o filho agora!". fora de pieguices, o senhor que estava sentado à minha frente deve ter lamentado os sete quilos de cebolas que eu tinha estado provavelmente a descascar. coração pára, sete segundos. do L, outra vez, recebo um "agr! é uma miúda!". mais setenta cebolas para a mesa sete e o coração re-arranca. metro chega a São Sebastião, corro na fuga das galinhas para a linha azul, três minutos que parecem trezentos e chego finalmente ao carro. apanho os pais e corremos para a maternidade. chegamos ao quarto e dizem-nos que a Teresa ainda está no recobro. tudo fica descansado e à conversa. e é aí que eu decido que preciso de a ver.

começo a andar pelos corredores, trás-frente-trás. não diz recobro em lado nenhum, será que é para despistar pessoas como eu?, continuo a andar com ar bonzinho e 100% suspeito. decido perguntar, como quem não quer a coisa, é no piso de baixo menina diz a enfermeira desconfiada. sorrisinho e finjo ser apenas curiosidade. mal ela vira costas, atravesso o corredor em passo rápido, ele vê-me e acena que não com a cabeça a saber perfeitamente para onde me dirigia, carrego no botão do elevador e chego à porta do recobro. esperei e esperei que aparecesse alguém. preparei um discurso sério e irrecusável e finalmente apareceu a vítima: a enfermeira do recobro. olhe eu sou gémea da Teresa que teve agora um bébe e gostava mesmo de a ver. acho que reforcei o gémea com dois tons acima do normal e três tempos de pausa entre sílabas, sabia ser esse o meu principal argumento. e foi aí que entrei e as vi pela primeira vez, mãe e filha. conversámos, agradecemos, rimos e ficámos em silêncio. reconheci a alegria no sofrimento - diferente de tudo aquilo que alguma vez tinha presenciado.

durante essa semana, não consegui trabalhar. a minha cabeça estava lá, a ponto do L dizer que devia existir uma licença para tias! continuo assim e qualquer desculpa é boa para passar lá em casa a dizer olá, desculpem tinha mesmo que trazer estas faturas à Teresa..

a minha Teresa tem uma minha-Helena. e aquele bocadinho dela que eu quero que seja meu, passa amanhã a ser: batiza-se às 18h30 e vou ser a madrinha daquela miúda querida, que já adorava antes sequer de saber que vinha a caminho :)

elas andam à solta.







voam para a direita, correm para a esquerda. escondem-se. são manhosas, tornam-se difíceis de interpretar. gritam que estás a crescer, entraste numa nova fase e tens um novo ponto rebuçado. insistem que já não precisas disto, porque este isto só aparece quando estás fora desse ponto, fora de equilíbrio. tento não lhes dar razão, pouso os dez senhores no teclado e tento começar, como comecei agora. e sai zero, sai menos dois. há tanto para dizer, mas esse tanto anda de braço dado com um sentimento de normalidade difícil de arrancar. já sei o problema: larguei o 8 e abandonei o 80 e cheguei ao perfeito 44. e um blog destes faz-se nos extremos, nunca no meio. no meio, neste caso, não está a virtude. no meio fala-se de acontecimentos, não de sentimentos. no meio discute-se política, saúde e bem-estar. no meio sento o rabo no degrau e adormeço. não adormecemos todos?

terça-feira, 1 de abril de 2014

pressas

- Estou? Boa tarde, estou a ligar para a Nininha?
- Sim, é a própria.
- Ah, boa tarde! Soube que faz alianças lindas, e mais baratas porque não põe a marca do ouro, mesmo sendo ouro verdadeiro.. (espera de 5 segundos para a ouvir confirmar a minha teoria).
- Sim, é isso mesmo!
- Ah, fantástico (um dia devias considerar seriamente parar de começar todas as frases por Ah). Olhe eu vou casar-me com ele e gostávamos de marcar um dia para ir ter consigo e tratar das alianças. Quando é que teria disponibilidade, esta semana ou na próxima?
- Só precisa de me ligar antes a avisar que vem, e já agora.. quando se casam?
- (meio a medo, a imaginar controlo de riso do outro lado) Em Agosto! (exclui o detalhe de ser no final de Agosto)
- Ahh já estou a perceber, é como a sua irmã gémea, quer tudo tratado com meses e meses de antecedência.
- (a dizer que sim com a cabeça) pois..
- Então venha daqui a uns meses, que eu cá a espero!

É só, mas só, mais um to-do-not-done.

coisas da vida

Ela: "Se não passas o ano, não te dou o iphone!"

E percebi que era o mote de regresso, só mesmo para vir dizer isto. Porque me chocou perceber que as coisas que no meu tempo (sempre quis poder dizer 'o meu tempo', porque é uma forma de dizer que vivi já num melhor tempo do que o atual) eram óbvias, e mais do que uma obrigação, são agora motivo de júbilo mais oferta de iphone. Os miúdos ficam estragados e daqui a uns anos, quando quiserem desistir da escola, os paizinhos dão voltas à cabeça a ver onde erraram..

Eu: "Cuidado, P, que daqui a um ano o seu filho pede-lhe uma mota."

Ela: "Isso já o Pai lhe deu. É esse o problema dos pais divorciados, tentamos comprar os nossos filhos Ana.."

PS: O miúdo tem 11 anos.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

DIÁRIO DE VIAGEM



Já foi há algum tempo e voltei a lembrar-me. Não especificamente dos sítios que conheci, das caras que vi ou do trabalho que desenvolvi. Pensei no que aprendi (vão parar aqui as rimas, prometo). Quando voltei da Índia, no primeiro ano em que lá estive, voltei diferente. Na minha cabeça, apesar de ir rodeada de gente de mil e sete países, ia sozinha, a solo, by me. Disse sempre, mas sempre, a quem me quisesse ouvir, que ia fazer voluntariado e contactar com uma nova cultura. Nunca disse aquilo que primariamente me fazia meter-me num voo de 10 horas de viagem e aterrar num sítio húmido para xuxu, sujo que dói e para lá de Bagdad

A verdade é que, uns meses antes de ter tomado a decisão, apercebi-me de que precisava de me afastar para descobrir uns dois ou três aspetos da minha personalidade, que já referi aqui ter-se formado tarde e a más horas, em parte por ter crescido com uma irmã gémea, o lado menos bom do melhor lado da minha vida, dado que essa gémea é sem sombra de dúvida a pessoa mais importante que tenho cá em baixo, até ao dia em que o meu querido futuro marido tomar o seu lugar. Entrei no aeroporto, pronta a passar dois meses do meu Verão do outro lado do Mundo. Tinha 60 dias para perceber a lógica humana, num país em que se não negoceias, não tens hipótese, onde tens que estar sempre atenta ou em dois tempos tiram-te a carteira, a máquina fotográfica e a vida. Num país onde há uma simplicidade de criança em todos os Homens acima dos 50 anos e uma desconfiança própria em todos os que estão abaixo disso. Num país onde dormes por cima do BI, acorrentada a malas e calçada para o caso de teres que fugir a meio do sono.

Findos os 60 dias, embarquei de volta. O primeiro choque foi a chegada a Londres, perceber que tinha coisas a mais: luz a mais, gadgets a mais, proximidades a mais. Saudades a mais, memórias a mais e vontades a mais. Aterrei em Lisboa e ao fim de uma semana ela disse-me que não me reconhecia: tinha deixado uma certa imaturidade em terras indianas, tinha deixado essa querideza que me era própria. Já não era aquela miúda sempre a rir, sempre solícita, sempre a desfazer-se em realização de vontades de terceiros. Voltava de nariz empinado, semi-arrogante e independente. E ninguém percebia como podia ser essa a mudança depois de 60 dias a ajudar quilómetros de miúdos de rua. Não era estranho; durante esses dois meses percebi como se ajuda realmente as pessoas, de uma forma pragmática e sem pieguices. E percebi que quando se confunde um tipo de ajuda com outro, existe muita gente pronta a aproveitar essa boa vontade, sob uma máscara de favores disparatada. Passamos por parvos e ninguém nos avisa.

Durante a última semana precisei urgentemente de recuperar o meu diário de viagem para me relembrar de tudo isto, um conhecimento que arriscava ficar adormecido. Acordei com três baldes de água fria e abri o diário. Peguei na caneta e acrescentei duas linhas aos parágrafos que lá tinha escrito: às vezes não ter paciência não é necessariamente falta de caridade. Pode ser que existam simplesmente demasiadas razões para o fazer. E muitas vezes, mais do que parece, as pessoas precisam é de atenção a menos e mundo a mais.

P.S. Amanhã prometo vir aqui retirar tudo o que disse.

"ENTÃO NOBIA?!"

E depois desta entrada triunfal no open space, espero e desespero que ela me aprove os 30 dias de honey moon que pretendo pedir-lhe já na próxima segunda-feira.

Querida América do Sul, vemo-nos em Setembro 
de mochila às costas e sob uma nova condição!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

tinha que dizer

passou um mês desde que um sim mudou duas vidas. não querendo fugir (já) para a pieguice que me anda a encher as medidas nestes últimos tempos, foi um mês fantástico. é como se a natureza ficasse igual, mas mudasse tudo na forma, e foi no exato segundo a seguir não foi? as ansiedades travaram a fundo, o tempo ganhou horas e de repente tudo é claro, simples e bom. há uma nova certeza, uma nova confiança. já não precisamos de contar os minutos para o fim de um dia que, de tão certo, é sempre incerto, e temos simplesmente que aproveitar os minutos que nos são dados, como um enorme presente que nenhum dos dois merece. e depois vêm as vontades e as tentações - quando quero muito muito uma coisa, quero que o tempo que me separa dela passe a voar (regret comes afterwards). e acredito que para as alminhas com uma inteligência superior, o desfecho seja diferente mas conheço-me demasiado bem para saber que me falta pedalar muito para alcançar esse state of mind: quero tudo para ontem e quero tudo a voar. era lindo se fosse eu a escolher a melhor forma do Mundo girar.. 

a fotógrafa está confirmada e foi a primeira coisa que quis garantir. escolhemos a Inês Subtil, Subtilography, que me parece a melhor fotógrafa do século, com uma capacidade fora de série para captar não só os momentos, mas as luzes, as cores e a atmosfera. note to self: sou pior que os da EMELga, só descansando quando a queridíssima Inês não teve outra hipótese senão deixar o casalinho que estava em standby e aceitar o casalinho-cuja-noiva-lhe-atulhou-a-mailbox! o DJ está confirmado, Ricardo Reis Pinto que faz música para crianças mas que é uma bomba a cantar ao vivo e acumula a função de DJ. um dois em um que não quis desperdiçar, depois de o ter ouvido na boda de Setembro. este não chateámos muito, até porque foi o querido B a tratar tudo com ele. já me conheces.. o vídeo foi o que levantou mais dúvidas, achas que tenhamos vídeo, é mais um extra e secalhar passamos sem isto.. achámos que não, ou melhor achei, e contratámos o Vasco Vieira para que, um dia, os nossos filhos possam ver uma versão de how i met your mother e rir à gargalhada com o vestido old fashioned da mãe. depois ficam sem comer bolachas durante uma semana mas isso é um pormenor. 

e por falar no vestido! dei-me literalmente três horas para veni, vidi, vici na tentativa de provar a mim própria que isto não é o filme que pintam e que keeping it simple é sempre a solução certa a adotar. e como queria tudo, mas tudo, enfiado num só vestido de casamento, o simples ficou com o papel secundário e a salada de frutas avançou, enviar-lhes mensagens a dizer que estava fechado e adormecer descansada. o problema foi o dia seguinte, em que percebi que o mix perfeito era afinal um verdadeiro carnaval do Rio e dei-me mais uma semana para pensar no assunto. até que decidi arriscar: farei metade do meu vestido e a costureira faz o resto, porque é tão pessoal que não quero abdicar a 100%. terei que dedicar umas boas horas de costura ao mesmo, mas no final, quando já tiver passado o óleo de fígado de bacalhau que vão ser as horas de trabalho, vai parecer-me o vestido mais bonito que já vi. a decoração, a tenda e a iluminação, imprescindíveis para quem decide casar em casa como é o meu caso, também já estão asseguradas e bem asseguradas. um dia digo quem é a fornecedora, mas como ainda estamos em negociações prefiro não me atirar já para fora de pé.

faltam 191 dias para o nosso casamento e falta ainda tudo para trabalhar, a começar nos dois, que esta nova fase exige novas conversas a dois, nova discussão de ideias e novos livros de cabeceira. ouve-se por aqui e por ali pessoas muito nervosas com tudo o que falta e outras a apregoar já terem tudo tratado - estamos a meio (deste) caminho, thank God. e está tudo bem, tudo muito bem. porque como dizia o Warren Buffett: só quando a maré baixa é que sabemos quem nada sem calções.

ainda bem que há dias de chuva

para dar valor a estes dias de sol

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

e a meio da manhã

vale tanto a pena ver isto.
porque dá sentido ao resto das 13 horas deste dia.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

quem é que disse

que chocolate branco não é chocolate?

note to self

Para as dúvidas dos outros, as nossas certezas.
Para as nossas dúvidas, as certezas de Deus.

Segundo a bula (obrigada R!), estas duas frases são o remédio que vais usar sempre que ouvires que estão a dar esse passo demasiado cedo, que vais perder o melhor da vida e que ainda tinhas tantos projetos únicos para fazer como solteira. Que há uma carreira profissional que perde fôlego, que deves namorar muitos anos já casada, sem crianças; essas virão um dia, com uma estabilidade que implica o carro, o gato (!), e o loft com vista rio. E claro, como não podia faltar, que se conhecem pouco um ao outro.

Nas contraindicações da bula estará aquilo que te vai apetecer responder, se não usares freio: que ninguém pediu opinião, que pela sociedade atual este passo era dado com uns 90 caquéticos anos de vida e já "sem nada a perder" e que a vida tem muito mais piada com uma pitada de arriscanço e outra de confiança em Quem sabe mais - muito mais. E quanto ao argumento do conhecem-se pouco, sorri e acena que sim e que ainda bem. Estranho seria conheceres o B como se tivessem convivido juntos toda uma vida - seria provavelmente teu irmão e o cenário casamento não se colocaria. Conheces precisamente aquilo que precisas, para saber que é este o homem que queres ao teu lado para sempre, e a quem queres ajudar a ser um homem melhor todos os dias da tua vida. Exatamente como ele fará contigo. Tinto.

E no final, quando te apetecer dizer isto que vem a seguir, cala-te. A intimidade é algo demasiado importante para distribuir por quem não lhe dá o devido valor. Deixa só escrito nestes sete degraus, onde ninguém nos ouve nem paga para ler: a forma como decidiste viver estes meses fez com que o conhecesses melhor do que muitos casais se conhecem ao fim de anos e anos de namoro. A entrega foi gradual, porque fugiste dos saltos em comprimento. Viver juntos viverão um dia, casados; viver numa relação como casados, viverão um dia, casados. Amor e uma cabana é lindo, mas costuma ter demasiada mosquitada a sobrevoar o terreno. E quanto à criançada, basta olhar para fotografias para ver como a moda passa rápido e o que é que eram aquelas calças à boca de sino e cabelo comprido que aquele senhor usava?! Porque daqui a muitos anos, aquilo que é moda agora - a mega casa, o kit de sonho e o carro descapotável - estarão obsoletos. Já os filhos, esses estarão para as curvas, a trazer anos e anos de alegria e preenchimento a toda uma família. Sejam eles zero, dois ou duzentos.

E no fim agradeces essa caraterística que te foi dada, uma verdadeira boia de salvação: que ouves pouco as opiniões alheias ao teu núcleo duro, principalmente quando pressentes que te levarão a um beco sem saída. E deixas que a alegria que levas na alma fale por si, sem precisares de convencer ninguém ali em cima na plateia D.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

92.4


recebi mensagem delas ontem a perguntar a que horas tinha reuniões, queridas a minha primeira reunião começa às onze. eram nove da manhã quando o meu telemóvel começou a gritar por todo o lado, ele era whatsapp, ele eram mensagens, ele era alegria por ser sexta-feira e dia de ir para Viseu. e dizia-me liga a RFM até à tua reunião e se fores ao W, levas o telemóvel contigo e com phones postos. assim fiz: meti-me em dancing-mood até chegar ao trabalho e só entrei no parque de estacionamento quando garanti que tinha começado uma nova música e que teria tempo para perder rede, estacionar, subir ao 8º andar, ligar o computador e sintonizar-me novamente na RFM. corri, corri e quem me viu terá pensado esta quer mesmo ir de fim-de-semana. Sintonizei-me novamente e afinal era na mega, porque sempre foi com a mega que fizemos viagens, saímos à noite e andámos no smartie.

foi às 10:58h. a locutora da rádio, que eu passei a adorar mesmo sem conhecer, disse e agora, um pedido especial: da T. e da M., um grande beijinho para a amiga Ana que está noiva há uma semana! Hey Brother a tocar! eu estava no open space, e comecei a rir desenfreadamente, enquanto eles os três olhavam para mim como burro para palácio, sem perceber o que se estava a passar. logo a seguir passei à parte de disfrutar, porque o importante é disfrutar com um deles diz, e esta nossa música, a música das três que muda de semana a semana, soube-me como a última bolacha do pacote. depois, quando a euforia assentou, expliquei-lhes. e contei-lhes também que há uma semana, acordei numa nova condição: a de noiva do Bernardo e sua futura mulher. e que nesse momento me tocaram à porta de casa e eu, ainda meio ensonada, fui abrir, E: quem é? R: Polícia. E: Polícia?! Mas o que é que se passa?? R: Florista menina, florista! E: Mas eu não pedi flores.. (lol) R: Mas enviaram-lhe flores menina. É a Ana? E: Sim, sou.. acho que sou (a acordar, há desculpa). Vou abrir. e quando o vejo a aparecer, um senhor florista que eu pensava já não existir, trazia um ramo lindo com três das flores preferidas da T. e com uma mensagem de um “Anónimo”.

era delas, que adivinharam que ficaria noiva nessa noite e que no dia seguinte adoraria receber flores! minhas queridas madrinhas, podia ter-vos escolhido melhor? :)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

o melhor do meu dia

(ao telefone)
M: olha que o teu afilhado prepara-se para ter um papel muito ativo no teu casamento, já que no outro dia, quando lhe contei, me disse
A: oh mãe e posso ser eu a levar as alianças à tia Ana e ao tio Bernardo no dia do casamento?

Quando soube, estive a ponto de ir a correr do Parque das Nações ao Estoril, encher aquele miúdo de beijos até ficar enjoado e explicar-lhe que apesar de já ser crescido e ter muitos anos de vida, ar de malandrão e muito pouco juízo (graças a Deus) e de antes dele estarem na lista outros sobrinhos mais pequeninos, certinhos e com ar de anjinhos de capela, vai ser ele o escolhido.

E depois de esperar um minuto, enquanto ele cora e olha para outro-lado-não-nos-olhos e ri com vergonha, perguntar-lhe quer? enquanto o vejo a acenar que sim, cara duplamente rosada e com o importante detalhe de estar, quase de certeza, a roer um dedo da mão direita.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

BRIDES DIARY #221

em preparação de eventos, vem ao de cima a personalidade de cada um, tão crua que dói. como em tudo, quero despachar os macros e focar-me nos micros. quero ter tudo alocado, o que seja DJ, espaço, fotógrafo e costureira para depois nos entretermos com a beleza dos missais, as ideias para os nomes das mesas, a fantástica lua-de-mel-que-seria-fantástica-mesmo-que-fosse-ali-em-Cuba-do-Alentejo e na escolha das madrinhas e padrinhos.

a 221 dias do WDAY, e três dias depois de termos ficado noivos (só contam os dias úteis, que ao fim-de-semana não há quem nos responda a emails) já riscámos na checklist os 2 de 4 Sacerdotes, a fotógrafa, o DJ e a costureira. cada um tem 50 histórias para contar e como amanhã prevejo um dia mais calmo, vou deixar o suspense até lá :)



e hoje, conheço-te um bocadinho melhor meu amor. vejo como andas a pôr mãos à obra, como ligas para aqui e para ali e como estás tudo menos parado. e reconheço-te a paciência para as minhas correrias e para o querer tudo para ontem. 

hoje mais e melhor do que ontem. 
amanhã mais e melhor do que hoje.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

e dos que não se esquecem


não sei se foi o dia mais feliz da minha vida. não sei se alguma vez me lembrarei de tudo o que dissemos um ao outro. não sei se alguma vez tive uma certeza tão grande. e também não sei se os meus pés já voltaram a tocar no chão.

dizem que um ano é o horizonte temporal perfeito para ter como medida. daqui a um ano, olharás para o dia de hoje e sorrirás. não tanto pela piada da coisa, mas porque tudo nesta vida é relativo e ganha ou perde dimensão com o passar das horas, dos dias e dos anos. e é assim que hoje olho para trás: há um ano, o meu emprego estava longíssimo de me parecer o melhor sítio do mundo para trabalhar. há um ano, tentava convencer-me de que o coração é convencível. e que a razão podia bem passar para os lugares baratos do cinema, fazia pouco mais do que desconcertar um puzzle que eu, de olhos fechados, tentava construir. as peças não encaixavam e eu não percebia porquê. há um ano estavam cá mais pessoas, a nossa família era maior. há um ano chovia mais, a todos os níveis.

passados 365 dias, tenho o tal sorriso na cara. o meu emprego é o melhor sítio do mundo para trabalhar. deixei de precisar de convencer alguém e o conselho da mãe de repente passou a fazer todo o sentido essa sensação de invasão de espaço que agora sente, um dia acabará; porque só acaba quando aparece alguém que não está a mais, porque é parte do seu próprio espaço, como se tivesse nascido lá, desde sempre. alma e coração estão convencidos e aplaudem, porque voltaram a poder andar de mãos dadas sem conflitos de casal. passado um ano, o puzzle encaixa e reencaixa e como é que é possível que esta peça, a que me faltava, tenha andado 24 anos meus e 31 deles perdida atrás de um qualquer canto deste planeta? passado um ano, vêm aí bebés delas e a família vai crescer. e passados 365 dias, chove ainda mais, mas por motivos diferentes.

há um ano, não me passaria pela agenda que me voltaria a apaixonar por um homem como este, dadas as circunstâncias em que estávamos, dado aquilo que um para o outro representávamos. foram sete meses intensos, foram quase oito. foram 230 dias de ritmo TGV, de conhecer cada vez mais, de querer cada vez mais, de amar cada vez mais. de deixar de lado os pormenores e trazer ao de cima os pormaiores. de ganhar certezas e de dar um passo-em-verdadeiro. no dia 17 de janeiro, dia dos anos dele, percorremos vários quilómetros no meio de uma noite gelada e chegámos ao sítio onde tudo começou (?). e ali, à frente de quem nos guia desde sempre, confirmámos que nascemos um para o outro. e contámos a Nossa Senhora o nosso segredo de Fátima: que estamos noivos e casamos no dia 30 de agosto! e agradecemos, agradecemos e voltámos a agradecer: eu a vida dele, ele a minha.

não sei se os meus pés já voltaram a tocar no chão. porque ainda me sinto sete degraus acima dele.
<3

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

dos que valem a pena


e depois, como ainda existiam uns minutos livres, deu tempo também para isto.

Entrevistador: Tem fé? Manuel Forjaz: A minha fé é absoluta, plástica, material. Deixa-me dormir tranquilo todos os dias - rezo todos os dias. Vou à missa e confesso-me. Li São Tomás de Aquino, Descartes e o Pierre de Chardin, que racionalizaram a existência de Deus. Mas não é por aí. Eu sento-me com Jesus Cristo à noite, na minha cama, e conversamos um com o outro. A fé dá-me duas coisas...Uma absoluta ausência do medo da morte e a certeza absoluta da vida eterna. Isso dá muita paz. Resolve uma parte muito importante do meu problema.

e o meu tempo chegou ao fim, dez minutos de intervalo e de imensíssima qualidade
to do's: ver se imensíssima existe em algum dicionário do globo ou se foi só mais uma calinada

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MAN ON FIRE

entrei na sala, eram vinte. 

vinte vezes dois dá quarenta. eram quarenta olhinhos ali, especados, à espera que eu lhes transmitisse um qualquer tipo de mensagem de esperança para aquele que era o seu primeiro dia de trabalho nesta minha empresa. contei histórias, espalhei-me dezoito vezes enquanto a dos recursos humanos me fitava e rezei para que não existissem perguntas. mas havia, claro. aquele claro. e de quem? da dos recursos humanos. obrigada lindinha, acredito que querias mesmo mesmo mesmo saber como estará o mercado fixo daqui a vinte anos. pois bem: se eu conseguisse adivinhar, não precisava de trabalhar. e saí, pé ante pé, com a firme promessa de não voltar a falar em público enquanto me lembrar dos 70º que vivi em dez minutos, que eram supostos ser trinta.

Post title

"Ele não mudou o método. O problema fomos nós, que o mudámos. E pensamos que já não precisamos que aconteça isto. Mudámos nós o método e em vez de estarmos atentos áquilo que acontece, comentamos aquilo que acontece! Muito diferente."

Obrigada, TC

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

lasciate ogne speranza, voi ch'entrate

andava numa tentativa de ser prendada nas tarefas domésticas. a ideia de fazer uma máquina de roupa e tingir tudo, de fazer um prato para dez amigos e pôr tudo a tossir de extra-extra-sal ou de aspirar uma sala à moda dos sete anões - tudo para baixo do tapete - tiravam-lhe o sono. 

passado muito tempo, tempo a mais, decidiu que era altura de pôr um pé fora do pesadelo e ver se estava frio. começou, dia após dia, a testar-se. num dia aspirou a casa toda e ficou radiante por perceber que só (!) tinha demorado quatro horas. mas estava um brinco e o ótimo é inimigo do bom, tentava convencer-se. no outro dia, arriscou um risotto de cogumelos com espargos e salsa. no dia seguinte, fez uma sopa e uma máquina de roupa. branca, que a preta teria que esperar. e depois lançou-se em lombos de salmão com mostarda e pimenta preta, embrulhados em papel de prata no forno e acompanhados com arroz de grelos. sentia-se radiante nestes primeiros passos, mas desvalorizava tudo o que fossem elogios da parte dele. porque apesar de todos os dias serem diferentes, havia uma coisa que se mantinha: fazia tudo com ar de quem não está a adorar aquilo, de quem até preferia estar num qualquer outro sítio. tinha alergia só de pensar que ele descobriria que ela até gostava daquilo, que não fazia por frete e que as tarefas domésticas chegavam mesmo a ser uma das melhores formas de descompressão de um dia de trabalho. começava a cortar as cebolas e as lágrimas faziam-na deixar para trás as várias reuniões. continuava para dedicar atenção ao arroz e a chuva que tinha apanhado até ao metro ficava esquecida. as ideias voavam para outro patamar e perdia-se na organização minuciosa dos detalhes realmente importantes a guardar ao final de cada dia.

mas os 24 dela para os 30 dele faziam com que não houvesse nada, mas nada, que ele não conseguisse decifrar. e hoje, quando chegou a casa dele e disse que pronto-está-bem-eu-faço-o-jantar-para-vocês-os-três, tinha a cebola cortada, os camarões descascados e o alho pronto. olhou para todo o aparato e riu-se. os 30 dele já há muito tinham percebido que os 24 dela estavam a adorar tudo o que fossem as coisas de casa.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ao Departamento de Marketing e Comunicação da Nicola

Boa tarde,

O meu nome é Ana Ulrich e sou vossa consumidora desde que me lembro de beber café. Tenho 24 anos e por isso acredito que vos sigo desde há pelo menos 10 anos. A marca Nicola é para mim tão inspiradora como o primeiro café que tomo pela manhã e tenho orgulho naquilo que vi alcançarem nos últimos anos, fazendo face a tantas ofertas concorrentes que surgem no mercado e mantendo a qualidade que sempre vos caracterizou.

É por vos admirar que me desiludi na vossa última campanha. Penso que os pacotes de açúcar são o complemento ideal para um café, principalmente quando, à semelhança do mesmo, nos enchem de inspiração e boa disposição. Reconheço que foi nessa tentativa que a Nicola lançou a campanha dos Apaixonados, procurando equiparar a Campanha de Hoje é o Dia e Hoje é a Noite, que me parecem ser das campanhas mais bem sucedidas na história dos cafés em Portugal. E a ideia parece-me muito bem conseguida, diria mesmo vencedora, não fosse o facto dos “apaixonados” das imagens aparecerem sempre, sempre, sem roupa. Parece-me despropositado que pacotes de açúcar sobre um casal apaixonado tenha que ter o dito casal despido, como se disso dependesse a paixão. É precisamente a intimidade pessoal que permite um casal estar apaixonado de uma forma saudável, olhando ao que realmente interessa e passando por cima daquilo que é uma imagem não representativa do todo da pessoa humana.

E é por acreditar que conseguirão superar as minhas expectativas, que vos envio hoje este email.

Obrigada,
Ana Ulrich

sent to: consumidor@nutricafes.pt

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

you have mail

ela mandou-me um blog e eu devorei-o.
e pela primeira vez, mas mesmo pela primeira vez, aconteceu uma coisa.
vi um blog de fotografias de moda e selfies cheio de estilo e fasquia alta.
a miúda não está nem despida, nem cheesy, nem num less-is-more mood.

vejam, não se vão arrepender.