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quarta-feira, 26 de junho de 2013

inCERTEZAS



Este tempo que andei sem vir até aqui, teve por justificação vários fatores que ainda não vêm a propósito.
Os dias passaram e a vida mudou. E trouxe consigo uma nova ideia, que dá mais estabilidade e calmaria a esta praia.

Não precisamos de certezas absolutas.
Precisamos delas em parte, aí uns 70,6%.
Ter a certeza das coisas faz-nos não procurar razões para as fazermos acontecer.
Ter a certeza das coisas vem complicar a vida que é simples, fácil e um luxo nos dias que correm.
Ter a certeza das coisas deixa-nos os pés pregados ao chão sem possibilidade de sete graus de elevação.

Porque se me perguntarem porque é que eu prefiro viver no meio da civilização em vez de virar selvagem, eu tenho a certeza da resposta. 100% certeza. E quando chegar o momento de responder, vou olhar à minha volta e começar a vacilar, enunciando objetos e tentando explicar que prefiro uma cadeira a uma árvore para fazer refeições. Tentando explicar o inexplicável. Porque cá dentro, há 100% de certeza, que faz com que nunca tenha perdido mais de 2 minutos a pensar nos seus porquês. Chegarei ao fim com uma única certeza: de não me ter explicado bem mas de ter a certeza que selvagem não quero ser.

E depois vem a ideia que anda a sair que nem pãezinhos quentes: é que se me perguntarem qual o racional das decisões tomadas nos últimos meses, vou-me rir primeiro e depois, no mesmo registo, responderei que não tenho 100% certeza. Tenho esses 70,6% que me deixam dormir descansada quando o dia chega ao fim. Deixo o resto sem resposta, correspondendo à componente de mistério que confere parte da piada a esta vida. Não preciso sequer de perceber porque é que o sol nasce todos os dias, nem da explicação científica por trás deste fenómeno. Basta-me a certeza de que quem criou tudo isto tem espírito de criança. E que, tal como as crianças brincam e pedem “mais uma vez” quando aquele jogo as deixa radiantes, também Ele o faz, pedindo, ao final de cada dia, e deslumbrado como uma criança perante a sua criação, um “mais uma vez” derretido. E ao verem este Amor, ninguém lhe recusa o pedido: o sol volta a nascer, as estrelas voltam a dançar a milhões de quilómetros e nós voltamos a acordar.